Invasão e resistência Os 90 anos da derrota de Lampião no confronto com o povo de Mossoró _ Partes III e IV

INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ – TERROR EM TERRAS


POTIGUARES - PARTE III
Por José de Paiva Rebouças

Apesar do pedido do pai os cangaceiros chegaram à Fazenda Nova do coronel Joaquim Moreira, um idoso de 84 anos. Foi sequestrado por vinte contos de réis e teve a casa depredada.

Quando soube do ocorrido, seu filho, Antônio Germano arregimentou uma pequena força para tentar acudir o pai. Entre Luiz Gomes e a Fazenda Nova, o herdeiro cruzou com uma volante da Paraíba no encalço de Lampião. Os grupos se uniram, mas só encontraram destroços na velha casa do coronel.

Um pouco à frente, os cangaceiros saquearam a casa grande da fazenda Bom Jardim, de propriedade de Francisco Fernandes de Oliveira. Na vizinha fazenda Diamantina, saquearam a casa de Antônio Fernandes e tomaram como guia o morador José Berto Silva.

Na fazenda Aroeiras, a mulher do coronel José Lopes, Maria José Lopes, reconheceu Massilon e foi presa como refém ao preço de 40 contos de réis. O coronel se negou a pagar o resgate. “Ela não vale 39 contos, que dirá 40”, conta Sérgio Dantas. Mesmo assim a idosa foi levada.

No mesmo percurso, foram assaltados os sítios Panati e Juazeiro e a fazenda Caiçara. Ali, invadiram a propriedade de Francisco Tomás de Aquino, que não se encontrava.

Pouco depois, entraram na propriedade de Antônio Dias de Aquino, sequestrado como guia.

Continuaremos amanhã com o título:
"Primeira resistência aos cangaceiros"

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Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Página: 15
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com
INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ – PRIMEIRA RESISTÊNCIA AOS CANGACEIROS - PARTE IV
Por José de Paiva Rebouças

Até àquela altura, tudo estava dando certo para Lampião no Rio Grande do Norte, bem como discutido com o coronel Isaías Arruda.

Mas, desde a fazenda Caiçara, ele tinha informações de um possível levante no povoado Vila de Vitória, hoje município de Marcelino Vieira. Aproximadamente 60 homens armados, tinha alertado o refém Antônio Dias de Aquino.

O coronel José Marcelino de Oliveira líder local, organizou o piquete contando com voluntários. O tenente Napoleão de Carvalho Agra, representante da Polícia Militar do Estado, foi incumbido de organizar força armada para enfrentar os cangaceiros.

Para percorrer os 18km até a fazenda Aroeiras, de José Lopes, contaram com o empréstimo dos automóveis do boticário Álvaro Andrade, de Pau dos Ferros, e de Emiliano Arnaud e Antônio Caetano de Alexandria.

CONFRONTO NA ANTIGO MARCELINO VIEIRA

Sabino comandava a tropa quando teve a impressão de ouvir barulho de motor à explosão. Levantou o braço em sinal de comando. O grupo parou atento. Numa curva do caminho, apontaram os veículos perfilados de soldados.

A resistência também viu os cangaceiros, mas foi obrigada a parar os veículos em declives desfavoráveis. Sabino deu comando e a bateria de tiros começou. Soldados entrincheirados. As balas resvalavam nas baterias dos automóveis, fazia menos barulho que a algazarra dos bandidos.

Sem saída, o tenente ordenou o revide. O guia Antônio Dias de Aquino aproveitou o confronto  para empreender fuga. Foi baleado, mas mesmo assim, conseguiu escapar.

Mais experientes, os cangaceiros dominaram a batalha, praticamente cercando a tropa comandada por Agra. Sabino aproveitou-se do fumacê provocado pelas armas e mandou que cinco homens, sob comando de Moreno, forçassem  um fogo por um dos flancos.

Inexperientes e com armas inferiores, os soldados se precipitam. Os cangaceiros ouviram quando o corneteiro Francisco Sales gritou que a munição estava acabando, motivo para os bandidos ampliarem o fogo.

A chegada da tropa de Lampião encerrou o confronto. A ofensiva forçou o recuo do regimento comandado por Agra. Ferido, o soldado José Monteiro de Matos dava cobertura para seus colegas fugirem. Tinha dito em Vila que morreria, mas não recuava. Assim fez. A resistência sumia na curva da estrada.

Fim do confronto, os cangaceiros encontraram morto o bandido Patrício de Souza, conhecido como Azulão. O cabra conhecido como Cordeiro também foi ferido com bastante gravidade. Pouco diante, o soldado Monteiro agonizava.

Coqueiro lhe tomou o fuzil, atirou contra ele várias vezes e terminou a atrocidade desferindo diversas cutiladas de punhal no homem já morto.

Recolheram o que se aproveitava de armas e munição e atearam fogo nos automóveis. Enterraram Azulão em cova rasa.

A RETOMADA RUMO À MOSSORÓ

Depois do confronto, os cangaceiros decidiram passar longe de Vila de Vitória. Lampião estava contrariado com a resistência e se dirigia a Massilon.

Retomaram com os assaltos na fazenda Lajes, onde fizeram reféns o rendeiro João Bevenuto e seu irmão Emídio. Conquistaram o sítio São Bento e Poço de Pedras, de propriedade de Francisco Germano da Silveira, preso por dez contos de réis.

Atacaram a fazenda Caricé, do capitão Marcelino Vieira, que tinha se evadido com a família. Na fazenda Morada Nova, surpreenderam o proprietário Antônio Januário de Aquino. Preocupado com as filhas adolescentes Raimunda, Arcanja e Maria, expressou aflição. Foi atendido, mas teve que disponibilizar dinheiro e comida para a cabroeira.

Em terras do município de Martins, saquearam o sítio Ponta da Serra. O agricultor Francisco Dias foi pego de guia e obrigado a conduzir a tropa até a fazenda Morcego de Manoel Raulino de Queiroz, que foi espancado junto com esposa. Um filho conseguiu fugir e foi baleado, mas escapou por sorte.

Em seguida, invadiram os sítios Ribeiro, Pintada, Garrota Morta e Corredor. O agricultor Manoel Barreto leite cruzou o caminhos dos cangaceiros e foi pego de refém por 50 contos de réis.

No sítio Buraco, espancaram e fizeram refém o fazendeiro Sebastião Ferreira de Freitas, o Sebastião de Marcolino. No sítio Carnaubinha tomaram o cavalo de Manoel Ricarte e assaltaram Olinto Martins e Francisco Ferreira. De lá, cruzaram o sítio Cajueiro, maltratando os moradores, e, mais à frente, prenderam como guia o tangedor de rebanhos João de Doca e um companheiro.

INVASÃO NA ANTIGA ANTÔNIO MARTINS

Era festa de Santo Antônio no pequeno povoado de Boa Esperança, hoje cidade de Antônio Martins. Justino Ferreira de Souza, fundador do lugar, foi avisado da presença de Lampião pelas redondezas, mas não deu ouvidos. Acreditava que poderia recebê-lo como convidado em sua casa.
Os homens cercaram o lugar e proibiram as pessoas saírem de casa ou das novenas. Lampião, Ezequiel Ferreira, Virgínio e Luiz Pedro invadiram a residência de José Silvestre. O comerciante entregou o pouco que tinha e saiu ileso.

Vicente Lira foi preso como guia. Obrigado a correr na frente dos cavalos, tropeçou  e se apoiou nos arreios do cavalo de Lampião. Por pouco não derrubou o cangaceiro. Furioso, o bandido apunhalou Vicente pelas costas. Botou uma bala na agulha do fuzil e mandou que o sertanejo corresse, mesmo sangrando.

No pátio da igreja, os cangaceiros ainda obrigaram o homem a tomar cachaça. Um copo atrás do outro. O infeliz vomitou grossa mistura de álcool e sangue. Quando não aguentou mais, foi abandonado como morto, mas escapou milagrosamente.

Os cangaceiros ainda atacaram o estabelecimento de Justino Ferreira de Souza, mas, devido a seu tom de respeito e disponibilidade em colaborar, conquistou atenção de Lampião e foi poupado, assim como seu comércio.

Augusto Nunes de Aquino também teve seu comércio e casa saqueados. Espancaram o homem na frente da família. Decidiram fazer sua esposa, Rosinha Novaes, de refém, mas ela resistiu. “Como é que posso viajar com uma criança nos braços? Que terra sem proteção é essa? Parece que não tem homem! Na minha terra ninguém se atrevia a fazer isso!”, esbravejou.

Sabino se aborreceu e quis saber de onde ela era. Disse ser de Floresta do Navio/PE. A informação pegou Lampião de surpresa. Descobriu que a mulher era parente de Elias e Emiliano Novaes, amigos do cangaceiro. “É, eu não sabia desse parentesco não. Que coisa medonha. Mas o que tá feito, tá feito, não tem mais remédio”, teria dito o Lampião, segundo conta Sérgio Dantas.

Desculpou-se e saiu apaziguando as coisas pelo povoado. Soltou os reféns com aval de Augusto e recusou o dinheiro do resgate cobrado na prisão do comerciante.

FRUTUOSO GOMES, LUCRÉCIA E ALMINO AFONSO

Por volta das oito e meia da noite, o grupo chegou ao sítio Mumbaça, atual cidade de Frutuoso Gomes. O saque teve início na casa de José Gomes, irmão de Frutuoso Gomes, chefe do lugar. O agricultor Raimundo Inácio foi preso como guia.

Saquearam o sítio Cachoeirinha e Cacimba da Vaca, próximo à Lucrécia, um lugarejo na época. No sítio Castelo, balearam Raimundo Alves, que também sobreviveu.

Chegaram ao sítio Serrote quase meia noite. Por lá só encontraram Egídio Dias da Cunha, filho de Joaquim Dias, dono do sítio Cacimba da Vaca. O levaram de refém por 10 contos de réis.

Seguiram para Gavião, assaltado por Massilon havia um mês. No caminho, passaram no casebre de José Alavanca. Exigiram silêncio sobre a presença deles e foram descansar no sítio Caboré, já próximo do destino.

Continuaremos amanhã com o título:
"A CHACINA DE CABORÉ"

Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Páginas: 17,18 e 19
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com

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