Invasão e resistência - Os 90anos da derrota de Lampião no confronto com o povo de Mossoró - Parte V

INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ – PRISÃO DE ANTÔNIO GURGEL E O INÍCIO DA PELEJA - PARTE V
Por José de Paiva Rebouças

Depois das informações colhidas em reunião com o intendente sobre a presença de Lampião nas redondezas, o bancário Jaime Guedes foi conversar como o sogro, coronel Antônio Gurgel do Amaral.

Embora não tivesse informações confiáveis, Gurgel temia que o bando chegasse à fazenda Brejo, localizada na Ribeira do Apodi, hoje Felipe Guerra, onde estava sua mulher.

Saiu de Mossoró por volta de uma da tarde, mas já próximo do destino, o motorista Francisco Agripino de Castro o Gatinho, tomou o caminho errado. Ao descer a ladeira do Mato Verde, ao invés de dobrar para a direita, foi para a esquerda, entrando em terras da fazenda Santana, onde estavam arranchados os cangaceiros.

Ao perceber a emboscada, Gatinho tentou fugir, mas foi em vão. Com medo dos tiros, Gurgel mandou que parasse o veículo. À distância, Coqueiro ordenou que entregasse a arma e o dinheiro.

“Entreguei-lhe a carteira, onde tinha cerca de um conto e quinhentos mil réis, e uma pequena pistola automática. Então o patife me passou uma revista. Tirou-me a aliança do dedo e um par de óculos que estava no bolso, apoderando-se também de uma caixa onde estavam 50 balas de rifle que eu levava para um amigo”, relatou coronel Gurgel em seu diário, escrito durante os 13 dias que ficou refém dos cangaceiros.

O coronel foi conduzido ao quartel do grupo. No caminho, toparam com Sabino Gomes que fixou o resgate: “Esteja preso por dez contos de réis”.

Na casa de Manoel Valentim, Gurgel viu seus dois irmãos, José e Fausto Gurgel que foram sequestrados por 1 e 5 contos de réis. Respectivamente.

Educado, tentou ponderar com Lampião sobre o preço do resgate. Pediu para ir até a cidade levantar o dinheiro, mas Sabino tomou a frente: “A sua prisão custa agora quinze contos de réis se ainda “fala”! Mande um dos seus irmãos à Mossoró. Você fica preso!”, disse.

Com a ordem, o homem cancelou a tentativa de negociação. Sugeriu que o irmão Fausto fosse até Mossoró com Gatinho buscar o dinheiro do resgate. Mandou com ele um bilhete endereçado ao genro Jaime Guedes, gerente do Banco do Brasil, contando o ocorrido e pedindo ajuda.

“Jaime, estou preso pelo Sr. Virgulino, o qual exige quinze contos, preciso, porem que você mande vinte e um contos para salvar-me e a meus irmãos. O portador é Fausto, a quem você despachará com urgência. Deus nos proteja!” Antônio Gurgel

PRIMEIRO AVISO À MOSSORÓ

Alguns quilômetros à frente, Fausto e Gatinho avistaram os comerciantes Alfredo Dias e Porcino Costa, velhos conhecidos. Receosos com os cangaceiros, iriam se refugiar em Mossoró. Desconfiaram do horário da carona e fizeram pressão pela verdade. Fausto não teve como esconder por muito tempo.

Passando pelo povoado de São Sebastião, hoje Governador Dix-sept Rosado, Alfredo Dias pediu que parasse o carro. Contrariando os pedidos do amigo para manter silêncio sobre o caso, foi até a estação férrea e pediu o funcionário para avisar à Mossoró que Lampião estava próximo.

O telefonista João Câmara realizou a tarefa após algumas tentativas. Dias ainda convenceu o funcionário Aristides de Freitas a não fechar o lugar. Por volta das oito e meia da noite, Jaime Guedes finalmente recebia o bilhete de Antônio Gurgel na presença do intendente Rodolfo Fernandes.

Continuaremos amanhã com o título:
"FRUSTRAÇÃO EM APODI E ATAQUE A GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO"

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http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2017/06/invasao-e-resistencia-os-90-anos-da_24.html

Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Páginas: 22 e 23
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com
Ilustrado por: José Mendes Pereira


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