A HISTÓRIA DE ANTONIO SILVINO(1) - Marlúcia Batista

Leitores, eu vou contar-vos
A minha biografia,
contar-vos que eu outrora
não fui quem sou hoje em dia.
Fui um  homem muito pacato,
e sou uma fera bravia!...

Da minha vida de crimes
Nada vos ocultarei.
Tudo quanto tenho feito,
vos juro que contarei;
Quero que o mundo saiba
quem fui, quem sou, quem serei.

No ano de mil oitocentos
e setenta e cinco eu nasci
no distrito de Afogados
de Ingazeira __onde cresci
junto aos meus progenitores
com quem criei-me e vivi.

Pedro Baptista de Almeida
e Balbina de Moraes,
(casados pela igreja)
são meus legítimos pais,
ambos estão mortos, por isto
cometi crimes sem iguais!

Como ninguém ignora,
na minha pátria natal
ser cangaceiro é a coisa
mais comum e natural;
por isto herdei de meu pai
esse costume brutal!...

Até os vinte e um anos
vivi calmo e sossegado,
desfrutando a mocidade
como um sertanejo honrado,
porém nessa idade o crime
quis me fazer desgraçado.

No ano de mil oitocentos
e noventa e seis (lembrado
ainda estou), em janeiro
meu pai foi assassinado,
por José Ramos da Silva
e um subdelegado.

O  José Ramos foi preso
e pra casa de detenção
da  capital do Estado
desceu escoltado, então
ficou o subdelegado
sem a menor punição.

Apenas foi demitido
o tal subdelegado,
que é filho de José Ramos;
e foi então nomeado
para o cargo Francisco Braz
um valentão afamado.

Vendo eu que a justiça
procedia desta sorte,
resolvi então ir mesmo
vingar meu pai a morte;
fez-se toda sociedade
minha inimiga forte!...

Então me vi obrigado
a cingir a cartucheira...
E no mesmo ano, em junho,
eu fiz a morte primeira;
Matando um meu inimigo
__Manoel Ramos Cabeceira.

Manoel Ramos Cabeceira,
De José Ramos sobrinho,
Estava junto com João Rosa;
Encontrei-os no caminho,
matei a ambos só para
Manoel não morrer sozinho.

Foi somente pra vingar-me
que fiz a primeira morte!
A policia perseguiu-me...
Eu abracei a má sorte!...
Hoje em dia me conhecem
pelo bravo  herói do norte!

Depois que fiz essas mortes
o novo subdelegado,
Francisco Braz de Carvalho,
Fez-se então meu intrigado:
Perseguiu-me e protegeu
seu colega exonerado.

Então resolvi mata-lo,
E o plano realizei;
Num dia do mês de agosto
eu com ele me encontrei,
ele ofereceu-me luta,
lutamos e eu o matei.

Começaram a perseguir-me,
eu procurei me esconder
pras bandas da Parnaiba,
pra policia não me ver;
tendo sempre o cuidado
de não me deixar prender.

Nesse tempo José Ramos
fugiu de sua prisão
e foi para a Imaculada,
onde encontrou proteção
do Sr Delmiro Dantas,
que o protegeu desde então.

No mesmo ano em junho,
encontrando-me um amigo,
Disse:__ Manoel Baptista,
preciso ir junto contigo
a Vila do Teixeira,
vingar-me de um inimigo.

(continua)

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