A HISTÓRIA DE ANTONIO SILVINO 2(continuação) - Marlúcia Batista




Acompanhei meu amigo
e fui por ele guiado,
a Vila do Teixeira
em visita ao delegado;
eu fui porque um irmão dele
protegia um meu intrigado.

A vinte do mês de junho,
(ainda estou lembrado),
Nós cercamos o Teixeira
e a casa do delegado,
mas meu amigo não pode
avistar seu intrigado.

Tendo perdido a viagem
nós tratamos de fugir,
receando que os Dantas
nos viessem perseguir,
porque eles não fazem graça
para moleque sorrir!

Voltamos ao Pajeú
e lá ficamos residindo.
Mas a policia, ativa,
começou nos perseguindo,
até que prendeu meu amigo
por encontra-lo dormindo.

Quando prenderam meu amigo
eu como chefe fiquei;
Para o de Antonio Silvino
meu próprio nome mudei,
e por Manoel Baptista
nunca mais assinei...

O governo da Paraiba,
junto com o de Pernambuco,
Entendiam que eu era
um desses "Mané Maluco" !
Porém já provei a eles
que tenho "quengo" de suco!...


Nunca mais esses governos
me deixaram descansar!
Devido as perseguições
Não pude mais trabalhar...
Então me vi obrigado
a não deixar de matar.

O capitão José Augusto
muitas vezes me cercou,
sendo uma vez em Fagundes,
desta lembrado ainda estou:
Perdi cinco companheiros,
mas ele não me amarrou.

Deste cerco só saiu
um soldado baleado,
dias depois em Matinhas,
por ele ainda fui cercado;
Perdi mais um companheiro
e o outro foi amarrado.

No ano de mil oitocentos
e noventa e nove, eu voltei
ao estado de Pernambuco,
em Canhotinho aceitei
o chamado de um amigo,
e uma usina cerquei.

Era o Major Santos Dias,
dono da usina citada
que eu cerquei para tomar
uma mulher casada
que estava do marido
alguns dias separada.

O Major foi avisado
e do terreiro correu...
A mulher que fui buscar,
no mato se escondeu;
E uma moça que passava
foi baleada e morreu!

Ainda hoje quando relembro
esse trágico acidente,
tenho pena da mocinha
que pareceu inocente,
ferida por uma bala
que matou-a de repente.

Fugi da usina e, depois
de dois dias, fui cercado
no distrito de Gravatá
pelo subdelegado
João Gonçalves; do cerco
sai com um braço baleado.

Morreram dois cangaceiros
dos que seguiam comigo;
Eu pude fugir do cerco,
e procurar um abrigo;
Voltei para a Paraiba
onde curou-me um amigo.

Em abril de novecentos,
estava eu em Cabaças,
quando apolicia cercou-me...
Eram trinta e oito praças;
Brigamos mais de seis horas
porém não houve desgraças.

O comandante da força
era o mesmo capitão
José Augusto; eu fugi
nessa mesma ocasião
eu fui com os meus companheiros
me intrincheirar no Surrão.

A dezeseis de junho
eu estava no Surrão
com cinquenta companheiros,
tinha muita munição
e gente pra brigar
até com um batalhão !...

(continua)

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