Cariri Cangaço Piranhas: Quando o Sertão Vira Encontro
Há coisas que não se explicam, apenas se sentem. Como o calor do sol batendo no rosto nas ladeiras de pedra de Piranhas, Alagoas. Como o cheiro de história antiga que sopra junto ao vento do Velho Chico. Como o arrepio que corre pela espinha ao ouvir, mais uma vez, um nome que parece lenda, mas é gente de verdade: Coronel João Bezerra, Dona Cira, Lampião, Maria Bonita, Padre Cícero, Conselheiro. E é nesse cenário onde o passado e o presente andam de mãos dadas que começa, mais uma vez, o Cariri Cangaço Piranhas.
O evento não é apenas uma reunião de intelectuais, pesquisadores e apaixonados pela cultura sertaneja. É, antes de tudo, um reencontro de almas. Almas que vibram ao som da sanfona, que se arrepiam com os causos contados à sombra dos casarões históricos, que se emocionam com o dedilhar de uma viola e a lembrança de um herói ou vilão do sertão. E tudo isso sob a batuta certeira e visionária de Manoel Severo, curador incansável, que carrega nas mãos o estandarte da memória nordestina, e na realização do Cariri Cangaço Piranhas, conta com os auxílios preciosos de: Jaqueline Rodrigues, Celsinho Rodrigues, e a equipe da secretária de Turismo de Piranhas.
O Cariri Cangaço, que nasceu nas terras sagradas do Cariri cearense, hoje se derrama como rio em cheia pelas veredas do Nordeste, encontrando pouso firme em cidades como Piranhas, que o recebem de braços abertos, em parceria com a Prefeitura Municipal, a Academia de Letras de Piranhas, o governo do estado de Alagoas,
e tantas mãos que seguram juntas essa bandeira de resistência cultural.
E no meio das conversas, alguém sempre puxa a saudade. Porque ninguém se esquece de Alcino Costa, de Antônio Amaury, de João Bezerra, de Sabino Basseti, de Paulo Gastão, de Narciso, de Voldi Ribeiro, de Paulo Brito, Elaine... Eles seguem presentes, firmes, soprando vida nas lembranças contadas com o coração.
O Cariri Cangaço é mais do que evento. É uma procissão laica da cultura nordestina. É fé sem igreja, devoção sem dogma. É quando o povo do sertão — e os que amam o sertão — se junta pra dizer: “Estamos vivos, sim. E nossa história também.”
De 25 a 28 de julho de 2025, Piranhas se torna mais do que uma cidade histórica: torna-se o altar de celebração de tudo que somos. Cangaceiros, beatos, coronéis, vaqueiros, poetas, escritores, sonhadores. Porque enquanto houver poeira no chão e vontade de contar histórias, o Cariri Cangaço seguirá em marcha.
E se você achava que já tinha visto tudo, prepare-se. O sertão vai tremer de novo. E a memória, ah... a memória vai cantar alto entre as pedras.
Cariri Cangaço Piranhas. Um chamado. Uma paixão. Uma promessa de eternidade.
* Gilmar Teixeira

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