Aleixo e a Onça que Aterrorizava Picos dos André -Texto: Augusto Júnior Vasconcelos Fonte: Carlos Henrique Almeida

 


Aleixo e a Onça que Aterrorizava Picos dos André

Segundo os moradores mais antigos da região de Picos dos André, localizada na zona rural do município de Castelo do Piauí, uma onça passou a aterrorizar a comunidade. No início, o animal atacava apenas os rebanhos para se alimentar, o que era compreendido como algo natural dentro da cadeia alimentar, já que a onça é um dos mais ferozes predadores da fauna brasileira.
Contudo, a situação se agravou quando o animal começou a atacar pessoas, espalhando medo e pânico entre os moradores da comunidade, situada a cerca de 22 km da sede do município.
Diante do terror instalado, os populares recorreram ao destemido Aleixo, um famoso caçador que vivia em uma das furnas da região. Verdadeiro mateiro, Aleixo era conhecido por sua coragem e por uma habilidade rara: a captura de onças. Um hermitão que não fugia de desafios.
Aceitando o pedido da comunidade, Aleixo entrou na mata em busca do animal. Experiente como era, passou a monitorar seus passos e chegou a presenciar diversos ataques da onça sobre suas presas, que mal tinham tempo de reagir.
Em uma nova investida, agora acompanhado por uma tropa formada por moradores locais e por um jovem caçador que se inspirava no velho mateiro, Aleixo partiu determinado a pôr fim ao terror que assolava Picos dos André.
Numa noite escura, às margens de um açude, o grupo montou acampamento utilizando madeira e palmeiras da região. A iluminação vinha de um lampião e de uma fogueira, quando, de repente, começaram a ouvir passos e o som de folhas sendo quebradas ao redor do acampamento.
O barulho causou apreensão entre os homens.Deve ser um animal grande, disse um, pelo barulho, parece um caititu fora da manada, arriscou outro. Aleixo, atento, rebateu,
que nada, é a onça. Ela está esperando que alguém se afaste da luz para atacar. A claridade é o que nos protege.
O cachorro, próximo à fogueira, grunhia sem parar. Aleixo afirmava enxergar os olhos famintos do animal no escuro e pediu que ninguém atirasse ainda. A onça, provavelmente atraída pelo cheiro da comida, então esturrou forte, causando um silêncio assustador — até os grilos cessaram seu canto.
Quando Aleixo se preparava para atacar de surpresa, o jovem caçador, dominado pelo medo, disparou sua arma. O tiro ecoou na mata e lançou todos ao desespero. Assustada e sem rota de fuga, a onça partiu para o ataque.
O animal avançou furioso, quebrando galhos e arbustos, numa velocidade impressionante. Em um salto longo, como se tivesse molas nos pés, desapareceu no meio da vegetação. Ao procurarem, perceberam que ela já não estava ali.
Os cães começaram a latir desesperadamente. A tropa se organizou, e após uma perseguição intensa e vários disparos, a onça foi avistada próxima ao Ninho do Urubu, uma das formações rochosas da região. Em alta velocidade, o animal tentou saltar de um lado ao outro do paredão, mas errou o cálculo e se chocou violentamente contra a rocha, morrendo no local.
Diz a tradição que, devido ao forte impacto, o rosto da onça ficou marcado na pedra, posteriormente petrificado, como ainda hoje afirmam ver os moradores e visitantes do local.
Mesmo sem ter sido o autor do golpe final, Aleixo mais uma vez saiu como herói da comunidade, que voltou a viver dias de paz após o fim do terror.
Texto: Augusto Júnior Vasconcelos
Fonte: Carlos Henrique Almeida
Foto da onça: Meramente ilustrativa (retirada da internet)
Demais fotos: Augusto Júnior Vasconcelos.

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