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O "Chachá I": o Maior Traficante de Escravos Brasileiro.
Francisco Félix de Souza (1754-1849) foi um comerciante de óleo de palma, ouro e escravos baiano profundamente influente na política regional da África Ocidental ( atual Nigéria, Benim, Gana e Togo).
Vindo da Bahia instalou-se pela primeira vez em 1788 no atual Benim. É mais provável porém que Francisco Félix tenha se estabelecido definitivamente na África em 1800, depois de várias viagens, a primeira entre 1792 e 1795.
O litoral da baía de Benim e seus arredores era, nesta época, uma das regiões mais densamente povoadas da África e conhecida internacionalmente como "Costa dos Escravos", devido ser este o seu principal produto de exportação. O rei da cidade de Abomei, também chamada de Abomé, localizada no interior, dominava a região da baía de Benim, embora lá houvesse vários fortes de feitorias europeias, entre os quais a já antiga fortaleza portuguesa de São João Baptista de Ajudá, localizada na atual cidade de Uidá.
Francisco se tornou escrivão que mais se tarde tornou o responsável pelo Forte São João Baptista da Ajuda, Francisco F. de Souza já era um importante traficante de escravos, instalado em Aneho, quando o rei daomeano Adandozan determinou a sua prisão por causa de uma disputa comercial. Ainda na prisão, porém, o baiano fez um pacto de sangue com o príncipe Gakpé, irmão mais jovem do rei, que o ajudou a fugir em troca do seu apoio para destituir o rei. O príncipe Gakpé, depois do bem sucedido golpe de estado, assumiu a coroa com o nome de Guêzo, consagrou seu irmão de sangue vice-rei de Uidá, com o título de Chachá, e lhe outorgou o monopólio sobre todo tráfico de escravos no reino do Daomé. Foi nesta condição que ele se transformou, ao longo da sua estada de mais de meio século na África, no “maior traficante de escravos de todos os tempos”, como definiu Verger.
Seus primeiros anos na África estão bem documentados em um artigo de Alberto Costa e Silva intitulado "Os primeiros anos de Francisco Féliz de Souza na Costa dos Escravos".
Comercializando escravos do que era então a região do Daomé, ele era conhecido por sua extravagância e tinha a reputação de ter tido pelo menos 80 filhos com mulheres em seu harém.
O papel do brasileiro na transformação radical desta região da África foi destacado por Gilberto Freyre, que sublinhou que “o aspecto econômico da revolução cultural ocasionada na África pela presença do africano ‘brasileiro’, que não deve ser absolutamente esquecido. Ele marca o vago, mas significativo, começo de uma burguesia capitalista africana em uma região do mundo então ainda virgem de burguesia e de capitalismo autóctone"
Prova irrefutável do prestígio e da importância política de Francisco Félix de Souza no reino do Daomé foram as homenagens a ele prestadas pelo rei por ocasião de sua morte, aos 94 anos de idade. Tão logo recebeu a notícia do falecimento do seu amigo, ocorrido na terça-feira, 8 de maio de 1849, Guêzo enviou a Uidá dois de seus filhos, à frente de um destacamento de 80 amazonas, para realizar as cerimônias tradicionais. Para tanto, doou ainda 51 pagnes à família, um para cada filho do Chachá ainda vivo, e mais sete pessoas para serem sacrificadas em honra do vice-rei, conforme exigia sua posição. Sob a alegação que seu pai era branco, Isidoro, o mais velho da família e futuro Chachá II, houve por bem recusar o sacrifício.
De Sousa é considerado o "pai" da cidade de Ouidah. A cidade tem uma estátua de De Sousa, uma praça com o nome de De Sousa e um museu dedicado à família De Sousa.
Segundo Edna Bay, De Sousa foi "profundamente influente como intermediário entre as culturas europeia e africana". Hoje é conhecido como patriarca fundador das comunidades afro-brasileiras em Gana, Togo, Benin e Nigéria.A família De Souza tem sido muito importante na luta pela independência do Togo, Gana, Nigéria e Benin. Figuras como Paul-Emile de Souza, presidente do Benin, e Chantal de Souza Boni Yayi, primeira-dama do Benin, caracterizam a classe.
De acordo com a família de Souza, Francisco Félix de Souza era descendente de oitava geração de Tomé de Sousa (1503-1579), um nobre português que foi o primeiro governador-geral do Brasil de 1549-1553. Se for verdade, tornaria os contemporâneos de Souzas membros da nobreza portuguesa, além de uma família de chefia africana.
O protagonista do livro de Bruce Chatwin, The Viceroy of Ouidah, é baseado na vida de Francisco Félix de Sousa. Fonte: SILVA, Alberto da Costa e. Francisco Félix de Souza, mercador de escravos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira/EdUERJ, 2004

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