Cem Anos da Passagem da Coluna Prestes pela Paraíba: A Frustrada Tentativa de Insurgência do 22º Batalhão de Caçadores* - Jose Tavares de Araújo Neto

 

                                       Imagem - Blog do João Costa 

*Cem Anos da Passagem da Coluna Prestes pela Paraíba: A Frustrada Tentativa de Insurgência do 22º Batalhão de Caçadores*

Jose Tavares de Araújo Neto

Os acontecimentos registrados nas primeiras horas de 5 de fevereiro de 1926, envolvendo o 22º Batalhão de Caçadores, no bairro de Cruz das Armas, na capital paraibana, foram relatados pelo então delegado-geral Severino Gomes Procópio, em depoimentos à imprensa e ratificado no livro de sua autoria “Meu depoimento: Revolta de Princesa – Revolução de 1930” (1962). 

Segundo essa narrativa, o episódio integrava um plano de natureza revolucionária, elaborado havia longo tempo nas capitais, a ser deflagrado de forma simultânea, em articulação com a passagem da Coluna Prestes pelo interior do país.

Na Paraíba, a execução do plano estaria a cargo de um grupo formado pelo capitão Aristóteles de Souza Dantas, pelo 1º tenente Seroa da Mota e pelo aluno da Escola Militar Plínio Coriolano, todos já vinculados a movimentos revolucionários anteriores. A esse núcleo somavam-se dezoito marinheiros, remanescentes da revolta liderada por João Cândido, além de civis locais implicados na conspiração. Em Pernambuco, o movimento teria correspondência na atuação do tenente Cleto Campelo, morto em combate.

O grupo encontrava-se reunido em uma casa que pertencera ao dr. Álvaro de Carvalho, situada nas proximidades do quartel do 22º BC, posição considerada estratégica. O plano previa que, à uma hora da madrugada, os conspiradores assaltassem o quartel da Polícia e, em seguida, a cadeia pública, libertando presos para reforçar suas fileiras, além de apoderar-se de recursos financeiros, depor o governo estadual e deslocar-se para o sertão, onde se incorporariam à Coluna Prestes.

A conspiração chegou ao conhecimento das autoridades poucas horas antes de sua execução. O então presidente do Estado, João Suassuna, assumiu diretamente a coordenação da resposta, após a impossibilidade de atuação do delegado João Franca, por motivo de saúde, conforme informado pelo chefe de Polícia Júlio Lira. Informações decisivas foram prestadas pelo sargento Francisco Pedro, que, após integrar o grupo, denunciou o plano e alertou para a existência de explosivos no local.

Sem tropas regulares disponíveis na capital, pois se encontravam no interior do Estado sob o comando do coronel Elísio Sobreira, organizou-se um contingente de cerca de quarenta homens, comandado pelos tenentes Manoel Benício e Francelino João Francisco. O cerco foi dividido em dois grupos, um destinado a conter civis implicados e outro a cercar a casa onde se encontrava o núcleo principal dos revoltosos.

Ao perceberem a presença policial, os ocupantes da casa reagiram, iniciando-se um breve tiroteio, durante o qual um soldado foi ferido e um artefato explosivo provocou o desabamento parcial de uma parede. Após resistência limitada, os insurgentes renderam-se.

Foram presos o capitão Aristóteles de Souza Dantas, o tenente Serôa da Mota e Plínio Coriolano, além dos dezoito marinheiros e de civis implicados, entre os quais Taumaturgo Borges. Em seguida, chegaram ao local o major Rodolfo Ataíde, o presidente João Suassuna e o coronel José Pereira Lima, deputado e chefe político de Princesa. Os presos foram conduzidos à cadeia, com os oficiais recolhidos em celas separadas.

Dessa forma, o episódio de Cruz das Armas caracterizou o abafamento de uma tentativa de levante revolucionário, inserida no contexto mais amplo da passagem da Coluna Prestes pela Paraíba.

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