Educação integral avança no país e amplia discussão sobre vivências fora da sala de aula - Roberto Magalhães
Educação integral avança no país e amplia discussão sobre vivências fora da sala de aula
A ampliação da jornada escolar no Brasil tem reaberto um debate importante sobre como garantir que o tempo adicional na escola contribua de fato para o desenvolvimento integral das crianças. Dados do Censo Escolar 2024 e do ciclo 2024–2025 do Programa Escola em Tempo Integral indicam que a expansão das atividades educativas precisa considerar a conexão com o território e com diferentes espaços de aprendizagem. Diante desse cenário, especialistas defendem que o diálogo entre escola, família e ambientes externos se torna essencial para que a educação vá além do ambiente tradicional da sala de aula.
Essa discussão também se relaciona a um diagnóstico cada vez mais presente no campo da educação e do desenvolvimento infantil: o distanciamento das crianças de experiências diretas com a natureza. Estudos sobre o chamado “desemparedamento da infância”, desenvolvidos por instituições como o Instituto Alana em parceria com o UNICEF, apontam que muitas crianças vivem hoje um déficit de contato com ambientes naturais. A ausência dessas vivências pode afetar o desenvolvimento emocional, cognitivo e social, além de impactar a saúde física e mental, levando educadores e pesquisadores a refletirem sobre como integrar experiências ao ar livre e estímulos sensoriais ao processo educativo.
Para Carol Gaudio, diretora de marketing e sustentabilidade do Acampamento Aruanã, o debate sobre educação integral precisa considerar diferentes formas de aprendizagem e reconhecer que a infância não se desenvolve apenas dentro da escola. “Não existe uma única pedagogia capaz de responder a todas as necessidades da criança. O que existe é a necessidade de uma rede de apoio que inclua escola, família e outros espaços de convivência. Quando esses ambientes dialogam, a educação se torna mais rica e mais conectada com a realidade das crianças”, afirma.
Segundo a especialista, o contato direto com a natureza também precisa deixar de ser tratado apenas como um discurso ambiental abstrato. “Antes de falar em responsabilidade ambiental, é preciso garantir que as crianças tenham a oportunidade de criar vínculo afetivo com o ambiente natural. A experiência concreta vem antes da teoria. Quando a criança vive a natureza, ela passa a compreendê-la de forma mais profunda”, comenta.
Na avaliação de Gaudio, ampliar o debate sobre educação integral exige olhar para a infância de forma mais ampla, reconhecendo que o aprendizado também se constrói fora dos limites físicos da escola. “As crianças aprendem muito pela experiência, pela convivência e pela exploração do ambiente ao redor. Quando diferentes espaços educativos dialogam, ampliamos o repertório e as possibilidades de desenvolvimento”, afirma. A diretora destaca que o desafio está em fortalecer o diálogo entre educadores, famílias e iniciativas complementares para que a formação das crianças seja construída de maneira mais integrada.
Sobre o Acampamento Aruanã
O Acampamento Aruanã é uma instituição de ensino não formal que, desde 1990, oferece acampamentos pedagógicos baseados em metodologias ativas e no contato com a natureza. Com uma estrutura completa de lazer e hospedagem em uma vasta área de Mata Atlântica, tem como missão proporcionar vivências marcantes que estimulam o desenvolvimento humano, o respeito ao meio ambiente e a construção de laços comunitários.
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