A MÚMIA DO DESERTO



Por volta de 5020 a.C., em meio ao ambiente inóspito do Deserto do Atacama, no Chile, uma pessoa sentou-se e permaneceu naquela posição até hoje, preservada por um dos climas mais secos da Terra. A incrível conservação do corpo — incluindo pele, cabelo e vestimentas — oferece um vislumbre raro e impressionante de um passado remoto. As condições extremas do deserto naturalmente mumificaram o corpo, mantendo-o intacto por milênios e proporcionando uma oportunidade extraordinária para o estudo da vida humana antiga.
Corpos naturalmente desidratados como este provavelmente inspiraram os antigos povos Chinchorro da região a desenvolverem a prática da mumificação artificial, segundo cientistas em um novo estudo. Essa prática teria se intensificado em um período de abundância natural e crescimento populacional, quando os Chinchorro, vivendo em vilas de pescadores ao longo das costas do Chile e do Peru, tiveram condições de inovar e avançar culturalmente. Eles já realizavam a mumificação de esqueletos por volta de 5050 a.C., milênios antes dos egípcios.
De acordo com pesquisadores, esse indivíduo preservado faz parte das múmias Chinchorro, criadas pela cultura homônima que habitava as regiões costeiras do atual Chile e Peru. Essas múmias estão entre os exemplos mais antigos de mumificação artificial conhecidos, anteriores às famosas múmias egípcias por quase dois mil anos. Os Chinchorro desenvolveram técnicas sofisticadas de preservação dos mortos, que incluíam a remoção dos órgãos internos, o remodelamento do corpo com argila e outros materiais, e o cuidadoso envolvimento do corpo com tecidos.
Descobertas no início do século XX, as múmias Chinchorro forneceram informações valiosas sobre a vida pré-histórica na América do Sul. Sua impressionante preservação permite aos pesquisadores examinar roupas antigas, traços físicos e costumes funerários, oferecendo uma janela para uma cultura há muito perdida. Essas múmias não são apenas achados arqueológicos significativos, mas também testemunhos profundos da relação entre os seres humanos e seu ambiente ao longo da história.
Por muito tempo, arqueólogos se perguntaram como surgiu essa prática e o culto à morte associado, com alguns sugerindo que teria sido importada da úmida Bacia Amazônica. “Nosso estudo é um dos poucos que documentam o surgimento da complexidade social em decorrência de mudanças ambientais”, afirmou Pablo Marquet, líder da pesquisa e arqueólogo da Universidade Católica de Santiago, Chile. “Até agora, a maior parte das análises focava em como mudanças ambientais levavam ao colapso de sociedades”, completou Marquet.
Fonte: 5 Minutando
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