Um dos maiores clássicos da literatura infantojuvenil brasileira virou motivo de polêmica em uma escola militar da capital federal.
O livro "A Bolsa Amarela", da escritora Lygia Bojunga, primeira latino-americana a receber o prêmio Hans Christian Andersen, está sendo contestado por pais de alunos do 4º ano do Colégio Militar Dom Pedro II, administrado pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF).
Os responsáveis pedem a retirada imediata da obra da lista de leituras obrigatórias, alegando que o conteúdo é inadequado para crianças de cerca de 9 anos. O movimento ganhou força em grupos de WhatsApp, onde o livro foi duramente criticado e a escolha pedagógica chegou a ser chamada de “podre” por alguns pais.
O principal ponto de rejeição é um trecho em que a protagonista, Raquel, expressa o desejo de ter nascido menino. Para os manifestantes, a passagem representa "uma introdução precoce à ideologia de gênero".
A autora, porém, escreveu o livro em 1976 com o objetivo de abordar a repressão sofrida pelas crianças e o direito de expressar desejos e vontades. A “bolsa amarela” simboliza o esconderijo das aspirações da menina, que sonha em crescer, ser menino, numa época em que eles tinham mais liberdade, e se tornar escritora.
Para quem não conhece, o romance conta a história dessa menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades que ela esconde numa bolsa amarela: a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora.
A partir dessa revelação, essa menina sensível e imaginativa nos conta o seu dia-a-dia, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação fértil e povoado de amigos secretos e fantasias.
Especialistas em educação consideram "A Bolsa Amarela" uma obra fundamental para o desenvolvimento da empatia, da autonomia e da criatividade na infância, porém pais que optam pelo modelo de ensino militar defendem que o colégio deve priorizar obras alinhadas a uma visão tradicional e conservadora de mundo.
Até o momento, a direção do Colégio Militar Dom Pedro II não se manifestou publicamente sobre o caso.
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