ARQUEOLOGIA URBANA E A MATERIALIDADE DO BRASIL HOLANDÊS NO BAIRRO DO RECIFE

 

ARQUEOLOGIA URBANA E A MATERIALIDADE DO BRASIL HOLANDÊS NO BAIRRO DO RECIFE

O estudo arqueológico da Rua Barão Rodrigues Mendes, no bairro do Recife, coordenado pelo Prof. Marcos Albuquerque (UFPE), estabeleceu uma relação direta e concreta com o Brasil holandês ao evidenciar por meio de vestígios materiais a configuração urbana e defensiva implantada durante a ocupação neerlandesa no século XVII. Longe de se limitar a uma contextualização histórica, o artigo demonstra que o espaço analisado corresponde ao antigo limite norte da cidade, onde se situava a chamada “porta da terra”, responsável pelo controle do acesso entre Recife e Olinda, elemento central na lógica militar e administrativa da Companhia das Índias Ocidentais.
As escavações revelaram estruturas associadas à presença holandesa, como baluartes, trechos de muralha em pedra com cerca de 2,10 metros de espessura e vestígios de paliçadas de madeira. Tais elementos confirmam a sofisticação do sistema defensivo implantado no Recife, considerado mais estratégico que Olinda, e corroboram as informações presentes na cartografia e na iconografia do período.
Além disso, o artigo evidencia o papel do Recife como núcleo das atividades econômicas e logísticas sob domínio holandês, concentrando armazéns, moradias e estruturas portuárias. O controle do trânsito de pessoas e mercadorias, inclusive com restrições impostas a portugueses, reforça o caráter político e militar do espaço estudado.
A convergência entre dados arqueológicos, fontes documentais e representações cartográficas permite não apenas validar o conhecimento historiográfico sobre o Brasil holandês, mas também aprofundá-lo, ao revelar a materialidade dessas estruturas no subsolo urbano.
Fonte: ALBUQUERQUE, M. A. G. M.; ALBUQUERQUE, V. C. L. Rua Barão Rodrigues Mendes, Recife, PE: memórias de seu trajeto do século XVII ao XXI. Revista Noctua, v. 1, n. 8, p. 3–26, 2023.

Imagens: cartografia e iconografia do Recife no séc. XVII; detalhes das fortificações e “porta da terra”, com representação dos baluartes, paliçadas e controle de acesso; evidências arqueológicas com trecho da muralha, baluarte do Bom Jesus e localização da rua em plantas do séc. XVII.








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