Enem 2026: preparação emocional é tão importante quanto estudar o conteúdo das provas
Na reta final do exame, educadores alertam que a ansiedade, o sono e a pressão familiar podem prejudicar o desempenho do aluno
A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma ser medida pelas horas de estudo, pela quantidade de exercícios resolvidos e pelos resultados dos simulados, mas saber a matéria não significa, necessariamente, conseguir demonstrar esse conhecimento, já que o nervosismo na hora da prova, o medo de esquecer as respostas e a preocupação com a aprovação podem atrapalhar até quem se dedica durante todo o ano. Por isso, cuidar da saúde mental merece tanta atenção quanto revisar os conteúdos na reta final.
A orientação aos alunos também deve considerar os aspectos emocionais, pois é preciso ajudá-los a reconhecer situações de ansiedade, organizar a rotina e lidar com a cobrança por resultados. A preocupação é que o excesso de pressão faça o estudante chegar ao exame cansado ou inseguro, mesmo depois de meses de dedicação às disciplinas.
“Não adianta o aluno passar horas estudando e chegar à prova tão nervoso que não consegue se concentrar. Muitos sentem que precisam revisar tudo novamente, como se o esforço do ano inteiro não fosse suficiente, então procuramos mostrar que eles já têm conhecimento e que também precisam aprender a confiar no que estudaram, respeitar os próprios limites e entender que o descanso faz parte da preparação”, explica Margarete Quiroga, psicóloga e coordenadora de projetos socioemocionais da Rede Adventista de Educação do Vale do Paraíba e Atibaia.
O sono é um dos primeiros afetados quando a preocupação com o exame aumenta. Alguns candidatos passam a estudar até tarde, reduzem os intervalos e deixam atividades de lazer de lado, porque acreditam que precisam aproveitar cada minuto. Porém, dormir pouco pode comprometer a atenção, a memória e o raciocínio, justamente as habilidades exigidas durante a avaliação. Então, manter horários regulares, fazer pausas e distribuir as revisões ao longo da semana ajudam a evitar o acúmulo de cansaço.
A pressão familiar também merece cuidado. Perguntas frequentes sobre notas, comparações com colegas e comentários sobre a dificuldade de ingressar na universidade podem aumentar a insegurança. Mesmo quando a intenção dos pais é incentivar, o excesso pode provocar o efeito contrário. É importante ouvir as preocupações dos filhos, respeitar os momentos de descanso e demonstrar apoio independente do resultado. Essas são atitudes que contribuem para uma preparação emocional saudável.
“Os jovens precisam perceber que a dedicação aos estudos é importante, mas que a vida deles não se resume ao resultado de uma prova. A escola tem a responsabilidade de ensinar os conteúdos e também de ajudá-los a lidar com frustrações, expectativas e decisões e, quando a família participa desse cuidado, o estudante se sente mais amparado para enfrentar o exame sem carregar a obrigação de acertar tudo”, completa Marizane Piergentile, diretora da Rede Adventista de Educação do Vale do Paraíba e Atibaia.
O Enem 2026 acontece nos dias 8 e 15 de novembro, e a recomendação é aproveitar as semanas restantes para revisar os assuntos que exigem atenção, mas sem comprometer a alimentação, o sono e o descanso. Conferir o local da prova, separar os documentos e planejar o deslocamento para chegar com tranquilidade também ajudam a reduzir as preocupações na véspera. “O conteúdo aprendido ao longo do ano precisa estar acompanhado de condições físicas e também emocionais que facilitem o candidato a utilizá-lo durante a prova”, finaliza Marizane.
Sobre o Adventista - A Rede Adventista de Educação integra um dos maiores sistemas privados de ensino do mundo, presente em mais de 100 países e formado por milhares de instituições educacionais. No Brasil, a rede reúne centenas de unidades e oferece ensino desde a educação infantil até o superior, com uma proposta pedagógica voltada à formação integral do estudante. O modelo segue a educação confessional, que integra excelência acadêmica à formação baseada em valores.
Tecnologia educacional, desenvolvimento socioemocional e atividades culturais, esportivas e comunitárias fazem parte da rotina com o objetivo de estimular autonomia, pensamento crítico e convivência cidadã no ambiente escolar.
No estado de São Paulo, as unidades são organizadas por regionais administrativas, que acompanham a aplicação do sistema pedagógico e garantem a qualidade acadêmica. No Vale do Paraíba, a rede é coordenada pela Associação Paulista do Vale (APV), que gerencia nove escolas nas cidades de Lorena, Taubaté, São José dos Campos, Jacareí, Guarulhos (duas unidades), Caraguatatuba, Bragança Paulista e Mogi das Cruzes. A décima unidade da regional foi inaugurada em Atibaia e tem previsão de funcionamento para 2027.

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