O Sanctum Celestial e as Cidades Espirituais

O Sanctum Celestial e as Cidades Espirituais



Shambala, Aruanda e Jerusalém
O mundo esotérico e da literatura sagrada está cheio de alusões à cidades sagradas. O Antigo Testamento faz uma oposição amiúde da ideia de campo e cidade.
Alguns teósofos consideram que Shambala seria um reino espiritual, uma espécie de cidade para onde vão espíritos iluminados. Outros ainda acham que Shambala seria um reino mítico situado em alguma montanha isolada entre o Tibet e o Nepal ou ainda um reino no interior da Terra.
 Aliás, a ideia de que o interior da Terra é habitado, é bastante frequente na literatura esotérica.
Já a cidade de Aruanda provém da mitologia africana, que igualmente seria um reino em algum plano espiritual acima da Terra, um território mítico em que os negros teriam a liberdade perdida.
 Os judeus, por sua vez, acreditam há séculos que Jerusalém é uma cidade física sagrada destinada especialmente ao seu povo. A Torá faz várias referências à Jerusalém celeste e à espiritualidade própria deste local. A única diferença é que enquanto a maioria das outras crenças dão um caráter mitológico-espiritual às suas cidades, os judeus pensam que a cidade real de Jerusalém é especialmente sua.
 Os espíritas kardecistas, por sua vez, igualmente acreditam que o plano espiritual é cheio de cidades sagradas para onde vão os espíritos desencarnados. O filme "Nosso Lar" fez alusão a isso.
 Teriam essas ideias algum fundamento real? Ou seria fruto da especulação humana? Se elas são falsas, por que há tanta gente que acredita nelas por milênios? O fato de uma crença existir há milênios prova sua fundamentação?
Essas e outras perguntas devem ser feitas pelo pesquisador místico ou não.
No Antigo Testamento, aparece a palavra cidade e também a palavra campo. Será que esotericamente há uma diferença entre as duas coisas?
 Arrisco dizer que tais palavras não representam lugares propriamente ditos, mas sim simbolismos para a própria consciência do homem. Dessa forma, o que representaria a cidade para a consciência?
Na cidade é onde encontramos outras pessoas, é quando confrontamos nossas ideias, é quando aprendemos a conviver. A cidade é um local que já está construída. Assim, basta entrarmos nos prédios, casas e comércios já construídos pelos outros para aprendermos a lidar com eles.
 Já o campo é um lugar mais calmo, aonde nos recolhemos na solidão de nós mesmos. É no campo que podemos plantar nossas próprias árvores e semear nossos próprios frutos.
 Arrisco a dizer que, simbolicamente, a cidade representaria a comunhão espiritual com outras consciências e com outras linhas de pensamento, seria o simbolismo para a congregação de mentes. Já o campo é a solidão da alma na análise de si mesma e na capacidade do Eu de plantar coisas pelo seu próprio esforço.
Campo e cidade representariam estes estados mentais específicos.
Dito isto, é compreensível que as diversas correntes de pensamento façam alusão à "cidades" espirituais.
Enquanto a maioria acredita que tais cidades são locais reais no mundo espiritual feitas às imagem e semelhança das cidades na Terra, creio que os místicos que criaram tais conceitos, intuitivamente criaram a noção de que existem "almas afins" que se reúnem dentro de uma filosofia numa espécie de congregação mental dentro de um determinado plano de consciência. Isto seria o real significado dessas "cidades espirituais".
 Do ponto de vista Rosacruz, Spencer Lewis, o criador da AMORC, criou a ideia de "Sanctum Celestial", que é a elevação da consciência até um determinado plano mental de inspiração, regeneração e comunhão espiritual por meio de uma visualização orientada. A Viagem ao Sanctum Celestial, ou Liber 777, está disponível na internet para qualquer um que quiser experimentá-lo.
De fato, o Sanctum Celestial aproxima-se muito da ideia de uma "cidade celestial" enquanto um plano de consciência aonde você comunga mentalmente com outros rosacruzes do mundo inteiro. A diferença é que enquanto Shambala, Aruanda e Jerusalém são, em princípio, conceitos filosóficos distantes para uma existência pós-vida, Spencer Lewis parece ter transformado essa ideia num exercício metafísico de aplicabilidade prática no dia a dia dos membros.
Incrível, não?
 Com relação ao Oriente Médio, judeus e palestinos disputam até hoje o controle de Jerusalém. Talvez se trouxessem consigo que Jerusalém pode ser um estado de consciência e não um lugar físico real, os conflitos para a posse daquela região diminuíssem.
Amor e Paz
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