EXISTIU UM CANGAÇO PÓS LAMPIÃO? POR. VALDIR OLIVEIRA

EXISTIU UM CANGAÇO PÓS LAMPIÃO ? ( Adendo Volta Seca )
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CANGAÇO: FLORO NOVAES, “VINGADOR DAS ALAGOAS”
Por Valdir Oliveira
Ainda faltavam 7 anos para a emboscada de Angicos (SE), onde Lampião e seu bando foram assassinados, quando nasceu na Cidade de Olivença, em Alagoas, o lendário Floro Gomes Novaes. É claro que seu nome ficou longe da fama do maior rei do cangaço, mas os fatos que envolvem a sua sina de vingador e justiceiro também merecem um registro atento e responsável por aqueles que estudam o fenômeno do cangaço na região Nordeste.

Floro decidiu seguir a vida de justiceiro em 1951 quando seu pai foi assassinado em uma emboscada na Cidade de Santana do Ipanema/AL. Na brutalidade dos assassinos, o cérebro de Ulisses Novaes foi esmagado com a coronha de um rifle. Floro jurou vingança e viveu o resto de sua vida com esse propósito, às vezes na companhia de alguns comparsas, como Valderedo Ferreira, na maior parte do tempo sozinho, na aridez da caatinga dos sertões de Alagoas e Pernambuco. Foram 19 anos com suas armas cuspindo fogo e colecionando os corpos dos inimigos até ser morto também numa tocaia, em 1971.

A repercussão na imprensa foi enorme, principalmente na Revista “O Cruzeiro” e no Jornal “Gazeta de Alagoas”. Entre os jornalistas que mais acompanharam a saga de Floro estavam Tobias Granja e seu irmão Paulo Granja, que nos cedeu fotos juntamente com o Pesquisador Ernande Moreira.

Pesquiso a vida de Floro desde a década de 1980, tendo publicado em 1985 o Cordel FLORO GOMES NOVAES – VINGADOR DAS ALAGOAS, em parceria com Ernande Moreira. O livro conta em versos de sextilha a vida de Floro, destacando as dificuldades encontradas na peregrinação pela caatinga, fugindo ou saindo do mato para matar, até culminar com a tocaia que resultou na sua morte.
Além disso tenho um livro inédito sobre o tema, com prefácio de Frederico Pernambucano de Melo, que conta em detalhes, diversas passagens da vida do personagem, com a linguagem narrativa no gênero de reportagem especial.
A foto de Floro com alguns comparsas trajando roupas típicas do cangaço, faz parte de meus arquivos e já foi veiculada, com os devidos créditos, no Diário de Pernambuco, em matéria de Inácio França e no livro Guerreiros do Sol, de Frederico Pernambucano de Melo, São Paulo: A Girafa Editora, 2004 com a seguinte legenda:
“Um cangaço pós-lampiônico repontará nos anos 1950 e 60, em grupos reduzidos, a exemplo de Floro Gomes Novaes, o ‘Capitão Floro da Ribeira do Ipanema’, com cinco homens, entre Alagoas e Pernambuco. Da esquerda, Valderedo Ferreira (lugar-tenente), o chefe Floro e Faísca c.1962. Cortesia de Valdir Oliveira, Recife, Pernambuco.”
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