Hoje, 29 de março, é aniversário da Cidade de Salvador _ Por José Bezerra



 No dia 29 de março de 1549, aportou na Bahia o governador-geral Tomé de Sousa com sua frota de seis embarcações – três naus, duas caravelas e um bergantim –, trazendo mais de mil pessoas: cerca de 300 soldados, 400 degredados e 300 colonos, inclusive alguns fidalgos e funcionários.

Para cura daquela gente, vinham também um médico, Dr. Jorge Valadares, e um farmacêutico, Diogo de Castro, e para cura das almas, vários padres jesuítas, entre os quais Manuel da Nóbrega, João Aspilcueta Navarro e Leonardo Nunes. Mulheres eram poucas.

Tomé de Sousa tentou desembarcar na Ponta do Padrão (onde hoje fica o Farol da Barra), mas em virtude da pouca profundidade naquele ponto ordenou que bordejassem pela esquerda, indo desembarcar mais adiante, onde se avistavam algumas casas e palhoças, no pé de uma montanha (atual Porto da Barra).

O governador tinha ordens do rei de fundar uma cidade fortaleza. Não perdeu tempo. Não satisfeito com a localização do arraial existente no porto, foi reconhecer a baía para escolher outro sítio, e no mesmo dia fundou a Cidade de Salvador, no ponto mais alto da montanha, do lado do poente.

Pelos documentos contemporâneos, o nome era simplesmente Cidade de Salvador, e não Cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos, como muitos escreveram e ainda hoje há quem repita. O equívoco decorre do fato de na bula que criou o bispado em 1551 ter sido escolhido o pomposo nome de Diocese de São Salvador da Bahia de Todos os Santos (atual Arquidiocese de São Salvador da Bahia). O nome “Salvador” custou a ser usado pelo povo, e até em documentos oficiais, por muito tempo, a cidade era chamada simplesmente de “Bahia” ou “Cidade da Bahia”.

O traçado inicial da cidade foi delineado por Luís Dias, seguindo o plano elaborado pelo mestre de obras do reino, Miguel de Arruda. O local era estrategicamente o mais adequado contra ataques por mar e por terra: de um lado, a cidadela era protegida pela montanha, verdadeira muralha natural, e na retaguarda era protegida por vales e charcos quase intransponíveis. Dentro de quatro meses, enquanto os colonos cuidavam das plantações de cana e aparelhamento dos futuros engenhos de açúcar nas cercanias, na cidade cem casas tinham sido construídas e foram lançados os fundamentos de uma igreja e de um colégio dos jesuítas. O governador mandou construir um muro de pedra e cal em torno da cidadela, com duas portas, uma ao norte e outra ao sul. Os acessos ao mar eram feitos pela Ladeira do Taboão, pela Ladeira da Misericórdia, pelo Pau da Bandeira e pela Ladeira da Montanha. O governador estabeleceu seis baterias de artilharia, quatro voltadas para o interior e duas na direção do mar.

O antigo arraial fundado pelo donatário Coutinho perto da Barra passou a ser chamado Vila Velha.

Logo mais, em outra leva, junto com bois, vacas, cavalos e éguas, chegariam colonos casados, mais degredados e raparigas órfãs de famílias nobres cujos pais tinham morrido a serviço da Coroa nas Índias, que vinham com recomendação expressa da rainha Catarina, esposa de D. João III, para que o governador as casasse com os mais distintos colonos.

Seguindo os conselhos de Caramuru e os apelos dos padres, o governador fazia agrado aos índios, mas sem abrir mão da arma principal, o terror. Tendo um índio matado um de seus colonos, Tomé de Sousa, para inibir fatos semelhantes, ordenou que amarrassem o índio na boca de um canhão e mandou pôr fogo.

(Texto extraído do meu Capítulos da História do Nordeste, p. 60-61. Só é permitida a reprodução total ou parcial com citação completa da fonte.) (José Bezerra).

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