POMPA E CIRCUNSTÂNCIA
Precisamente no dia 28 de julho de 1938, quando se deu o episódio da Grota do Angico, se realizaria à noite, em Propriá, uma festa formidável: as bodas de ouro do casal Delfina de Lima e coronel Chico Porfírio de Brito. Fazia dias, só se falava nessa festa – a festa do ano.
Os jornais da capital homenagearam o insigne casal com fotos de página inteira.
Festança de arromba! Propriá parou! Os Brito só lamentavam em sua celebração a ausência do eminente Senhor Doutor Eronides de Carvalho, então interventor federal em Sergipe, que se encontrava no Rio de Janeiro, com sua esposa, dona Ivete de Melo Góis Carvalho, desde o dia 22 de julho.
Eronides de Carvalho e dona Ivete tinham viajado para o Rio de avião, a modernidade das modernidades.
Na manhã do dia 28 de agosto, domingo, Eronides assistiu à inauguração do estádio do Botafogo, na Rua General Severiano – o Botafogo venceu o Fluminense por 3x2. Foram semeadas no gramado porções de terra vindas de todos os Estados. Compareceram ao evento, além do interventor de Sergipe, o também sergipano Lourival Fontes, diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o representante do presidente Vargas, chanceler Osvaldo Aranha, o interventor do Rio de Janeiro, Amaral Peixoto, o de São Paulo, Ademar de Barros, e o prefeito do Rio, Dodsworth. Eronides só voltou a Sergipe quase quatro meses depois, em novembro.
Mas voltemos a falar da festa em Propriá. Hercílio Brito cuidou de todos os detalhes da festança dos pais. Duas orquestras animariam a festa: uma de músicos locais, tocando música popular, e outra tocando música clássica – uma orquestra de câmara trazida de Aracaju, tendo à frente o maestro Genaro Plech, professor de música da Escola Normal.
Os adversários dos Brito mudavam de assunto, preferindo falar na maravilha que tinha sido a apresentação da cantora lírica Bidu Sayão, dias atrás, em Aracaju.
Acontecimento apoteótico. Na memorável noite do dia 18 de julho de 1938, a famosa soprano Bidu Sayão, o “Rouxinol do Brasil”, cantou em Aracaju no Cineteatro Rio Branco, na Rua João Pessoa.
Dizia-se que a talentosa diva cantava como um pássaro.
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