A solenidade de Corpus Christi é a festa do Corpo de Cristo, presença real de Jesus na Santa Eucaristia. A base fundamental deste mistério de amor se encontra na Última Ceia (Mt 26,26-29), quando o próprio Jesus instituiu, em memória de sua morte, o supremo e magnífico sacramento de Seu Corpo e Sangue, nos dando o seu Corpo como comida e o seu Sangue como bebida.
Santa Juliana de Cornillon
Tudo começa no século XII com Juliana, uma figura feminina pouco conhecida, mas a quem a Igreja deve um grande reconhecimento, tanto pela sua santidade de vida como pela participação na instituição de uma das solenidades litúrgicas mais importantes do ano, a do Corpus Christi.
Santa Juliana de Cornillon nasceu entre 1191 e 1192 nos arredores de Liège, na Bélgica, e ficou órfã muito cedo. Com 5 anos passou a viver com as monjas agostinianas no convento de Mont-Cornillon, se tornando também ela uma monja agostiniana.
Com 16 anos, Juliana teve uma primeira visão que, depois, se repetiu várias vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava. E o Senhor lhe deu a compreensão da visão: a lua simbolizava a vida da Igreja na terra e a faixa escura representava a ausência de uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia.
Transiturus de hoc mundo
Depois que as visões de Santa Juliana foram reconhecidas, o Papa Urbano IV, institui pela bula Transiturus de hoc mundo, de 11 de agosto de 1264, a solenidade de Corpus Christi como festa de preceito para toda a Igreja, na quinta-feira sucessiva ao Pentecostes.
A Tradição da Igreja aponta que Urbano IV pediu a São Boaventura e a São Tomás de Aquino para que escrevessem um ofício – o texto da liturgia – para a solenidade de Corpus Christi. Quando ambos estavam prontos, o Papa começou a ler em voz alta, primeiro o ofício feito por São Tomás. Enquanto escutava, São Boaventura rasgou o seu em pedaços para não concorrer com o ofício de São Tomás de Aquino, o qual achou superior. O ofício de São Tomás de Aquino o Tantum Ergo Sacramentum (Tão Sublime Sacramento) é usado desde então. É considerado pela Igreja uma obra-prima, onde se fundem teologia e poesia.
A procissão
Embora cada diocese tivesse suas próprias peculiaridades no rito dessa celebração, foi somente no Concílio de Trento (1545-1563) que se alarga e oficializa as práticas mais comuns de como celebrar o Corpus Christi. Especialmente a procissão com o Santíssimo pelas ruas e lugares públicos, para que, dessa forma, os cristãos pudessem se alegrar pela vitória de Cristo sobre a morte, pois ele está ali, presente no meio de nós.
A tradição dos tapetes
A tradição dos tapetes que ornamentam as ruas por onde passa a procissão de Corpus Christi veio de Portugal. No Brasil, a solenidade de Corpus Christi é celebrada desde a época colonial, usando de muita criatividade e cores. Mas foi em Ouro Preto, Minas Gerais, que as ruas começaram a serem enfeitadas para a procissão.
A procissão passa pelo tapete, com o sacerdote à frente, carregando o Santíssimo. Com isso é recordado a alegria que havia na entrada de Jesus em Jerusalém, embora não haja nenhuma ligação com a procissão de ramos, que antecede a Paixão de Cristo. Francisco Giovani da Costa, vivamos nesta quinta-feira próxima a experiência da maior festa eucarística da nossa Igreja! Adoremos o Corpo do Senhor na Sagrada Eucaristia sem esquecer de amparar o mesmo Senhor, escondido no próximo, em suas necessidades. |
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