CENTENÁRIO DO ASSASSINATO DE JOSÉ NOGUEIRA, NA SERRA VERMELHA .
(*) Por Luiz Ferraz Filho.
Em 26 de fevereiro de 1926, o fazendeiro José Alves Nogueira (cunhado de José Saturnino, o primeiro inimigo de Lampião) , havia sido capturado pelos revoltosos da Coluna Prestes, que aproveitando o prestígio da vítima, comumente utilizava-se como guia para orientar o trajeto que a numerosa tropa fazia invadindo o território sertanejo. Depois de três dias, José Nogueira foi libertado e retornou para casa respirando aliviado da aflição que passou durante o sequestro. Mal podia imaginar que voltando para a fazenda Serra Vermelha passaria por situação ainda pior. Ao chegar, José Nogueira pediu para seus familiares irem avisar aos demais parentes que estava tudo bem com ele e que já encontrava-se em casa. Todavia, aproveitando o descanso da infausta viagem, resolveu ir até a vazante onde existia uma cacimba que abastecia o lugar. Depois de algum tempo observando seu roçado, José Nogueira recebeu um recado de Antônia Isabel da Conceição (Isabel de Luis Preto) que inocentemente disse que a força volante de Nazaré (comandada pelo tenente Manoel Neto) estava no terreiro da casa esperando ele. Desconfiado, José Nogueira ainda perguntou: - Tem certeza que é a força ?. Tenho sim, respondeu a inocente Isabel.
Ao subir a ladeira da cacimba em direção ao terreiro da casa ele avistou o bando de Lampião com 45 cangaceiros enfurecidos após saírem derrotados na tentativa de invasão ao povoado de Nazaré do Pico. Homem de firmeza, José Nogueira não correu e nem prestanejou. Continuou o trajeto mesmo sabendo que dificilmente escaparia da morte. Nisso, o cangaceiro Antônio Ferreira, aproximou-se dele e falou: - É hoje José Nogueira. E ele respondeu: - Seja o que Deus quiser.
Lampião mandou todos baixarem as armas e começou a conversar com o velho fazendeiro. Após a palestra, Lampião observou ele muito cansado, doente e asmático, liberando o fazendeiro do suplício. Deu voz de reunir e começou a seguir no destino da caatinga quando escutou a detonação de um tiro. Desobedecendo a ordem do irmão, o cangaceiro Antônio Ferreira atirou covardemente em José Alves Nogueira, sendo ele advertido por Lampião, com seu aguçado precedimento que esse assassinato resultaria na definitiva inclusão da numerosa e valente família Barbosa Nogueira na perseguição aos cangaceiros, como de fato aconteceu.
Antes de ir embora, Antônio Ferreira retirou as sandálias alpercatas do morto e seguiu bandoleiro pela caatinga. Como a morte sempre anda a galope, no mesmo ano também morreu Antônio Ferreira vítima de um único tiro acidental. Essa fatalidade na linguagem do matuto, chama-se bom sucesso, ou seja, uma crença que o povo sertanejo tem em acreditar que o tiro acidental foi uma quitação divina.

Comentários
Postar um comentário