MORREU BEBENDO - POR LUH SANT'ANA

 


Era uma manhã comum, daquelas manhãs que não avisam que vão ser a última. O sol de abril já aquecia as calçadas de Alpaville, quando um homem de cabelo grisalhos, rosto marcado pelo tempo, empurrou a porta de uma padaria e sentou-se no balcão. Não pediu café, não pediu pão, pediu uma dose de whisky. Eram 9 horas da manhã.

Bebeu devagar, deixou o copo sobre o balcão, [música] pegou nas chaves da carrinha e saiu. Minutos depois, a carrinha bateu num poste. O impacto atirou o seu corpo contra o guiador com uma violência que [música] o fígado, já tão castigado, não conseguiu absorver. Estávamos a 5 de abril de 1992 e aí começava o fim de uma história que o Brasil inteiro deveria conhecer por inteiro, mas que quase ninguém teve coragem de contar sem cortar as partes difíceis.
Aquele homem tinha uma voz que parava o Brasil, tinha o rosto que estampava capas de revista, tinha fãs que choravam só de o ouvir cantar e tinha guardado dentro de si um peso que nenhuma fama do mundo conseguiu aliviar. Mas como homem que fez o Brasil inteiro cantar chegou àela padaria às 9 da manhã a pedir whisky? Essa é a questão a que este vídeo vai responder, que a resposta o vai surpreender em mais do que um momento.
Porque mesmo antes de contar de onde veio, preciso de te dizer uma coisa que quase ninguém menciona. Depois de António Marcos morreu, um exame de ADN revelou que ele tinha um filho que nunca conheceu, um menino chamado Manuel Marcos, que cresceu sabendo que tinha um pai famoso, que esse pai estava morto e que esse pai nunca soube que ele existia.
Esse é apenas o primeiro segredo. Há mais. Mas antes, se não está inscrito neste canal, se inscreve agora, porque histórias como que, que o tempo quase apagou, são exatamente o que este canal existe para contar. [música] Deixa um like e ativa o sininho e vamos continuar. António Marcos Pensamento da Silva nasceu no dia 8 de novembro de 1945 no bairro de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo.
O apelido do meio era Pensamento, um nome que parece inventado por um escritor, porque transporta uma carga poética que a vida real raramente tem a coragem de colocar no registo de nascimento de alguém. Em 1945, porém, era apenas mais um rapaz pobre na periferia de São Paulo, numa família operária que sobrevivia com o que dava.
São Miguel Paulista era um bairro de trabalhadores, de fábricas, de gente que acordava cedo e deitava-se tarde. E o menino António tinha uma voz, não era apenas uma voz bonita, era uma voz que parava as pessoas no meio do que estavam fazendo, que tinha textura, que tinha emoção, que dizia coisas que as palavras sozinhas não conseguiam dizer.
Mas voz não paga renda. E depois, antes de [música] qualquer coisa, António Marcos trabalhou. Trabalhou como office-boy, transportando papéis pelos corredores de empresas que não faziam ideia de que estavam a ser servidas por um futuro ídolo nacional. Trabalhou como vendedor de retalho. Trabalhou como balconista numa loja de calçado, medindo pés de desconhecidos [música] dia inteiro, com uma música a tentar sair de dentro dele a cada hora que a inspiração vinha a mente...

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