O DESEJO DE EXPEDITO SER ENTERRADO COM ALIANÇA, CERTIDÃO E FOTO DO CASAMENTO - POR ÁLVARO NETO



 O DESEJO DE EXPEDITO SER ENTERRADO COM ALIANÇA, CERTIDÃO E FOTO DO CASAMENTO

Expedito Cipriano, conhecido como Pê, apelido dado a ele pela esposa, desde que começaram a namorar. Era agricultor e proprietário de uma pequena propriedade, além de casado há 38 anos com Aurelina Vieira, nascida no Distrito da Baixa Grande.
A família Vieira da qual a esposa descendia, era conhecida por ter mulheres de gênio forte e dominadoras e Aurelina, não fugia a essa regra, pois apesar de baixinha, se notabilizava por ser determinada, enjoada, briguenta, ciumenta e em casa e nos negócios da família, sempre a última palavra era dela, indo e voltando. A pintura da casa, o que seria plantado e colhido no roçado, os nomes dos filhos, as finanças, e, principalmente, a vida do pobre do Pê, tudo passava pelo crivo e a decisão dela, a mulher mais se parecia uma primeira-ministra!
Certa vez, após sofrer de fortes dores, ele precisou ser submetido a uma cirurgia da vesícula e seguiu acompanhado de Aurelina ao Hospital da cidade mais próxima, ela foi dirigindo um Jeep 1958. Chegando ao hospital, Aurelina, uma mulher do tipo SEDEX, ou seja, extremamente despachada, já foi resolvendo tudo, desde a recepção para trazer uma maca para colocar o Pê, até a sala do pré-operatório.
Porém, antes de ser encaminhado até o Centro Cirúrgico, para se submeter a uma cirurgia, Pê fez Aurelina prometer que se ele morresse naquele procedimento operatório, deveria enterrá-lo com a aliança no dedo, uma cópia da certidão de casamento e uma foto do dia do casamento, ambos colocadas dentro do bolso do paletó. Em função da situação de saúde de Expedito, ela mesmo desconfiando daquela arrumação de gente doida, mesmo assim, jurou de pés junto que faria o desejo dele.
Aquela conversa desaprumada chamou a atenção dos atendentes de enfermagem e, principalmente do Dr. José Armando, médico responsável pela operação que ficou por demais curioso com aquela estória esquisit que acabara de ouvir.
Tão logo o Pê chegou ao Centro Cirúrgico, o Dr. José Armando procurou tranquilizá-lo, explicou que seria uma cirurgia simples e como seria o pós-operatório, procurando tranquilizá-lo.
No entanto, o médico não se aguentando de tanta curiosidade em relação ao pedido que ele havia feito à esposa, resolveu perguntar-lhe qual a razão daquela estória! Então, Expedito confessou para o médico que estava tranquilo quanto a cirurgia, porém precisaria estar acompanhado de todos aqueles apetrechos (aliança, certidão de casamento e do retrato dele com esposa no dia do casamento), pois caso morresse na cirurgia e ao chegar ao céu, aquilo era uma prova incontestável, pois, assim, Deus lembraria de que ele já havia passado 38 anos de sua vida no inferno!

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