Francisco José de Lacerda e Almeida: O Paulista que Liderou a Primeira Expedição Científica ao Interior da África.

 


Francisco José de Lacerda e Almeida: O Paulista que Liderou a Primeira Expedição Científica ao Interior da África.

Francisco José de Lacerda e Almeida (São Paulo, 1753 – Cazembe, 1798), Cavaleiro da Ordem de Cristo, Doutor em Matemática pela Universidade de Coimbra, Lente da Real Academia dos Guardas da Marinha de Lisboa, Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, Capitão de Fragata e Governador dos Rios de Sena, foi um dos maiores viajantes exploradores do século XVIII.
Francisco José de Lacerda e Almeida nasceu na cidade de São Paulo, em 1753. Era filho do capitão português José António de Lacerda e de D. Francisca de Almeida Pais, nascida em Itu.
Lacerda e Almeida descendia de alguns dos primeiros povoadores portugueses de São Vicente como Estêvão Gomes da Costa ou Garcia Rodrigues, e de conhecidos sertanistas e bandeirantes como Lourenço Castanho Taques, o primeiro descobridor das minas de ouro do Brasil.
Assim como muitos da elite do Estado do Brasil, estudou na Universidade de Coimbra.
Com ele encontravam-se outros "brasileiros", entre os quais o seu futuro colega de trabalho no Brasil, o mineiro Antônio Pires da Silva Pontes. Em 1777, aos vinte e quatro anos, recebeu o grau de doutor em Matemática e Astronomia, tendo sido aprovado nemine discrepante.
Em 1780, recebeu do coroa Portuguesa a incumbência de tomar as medidas astronômicas necessárias à demarcação dos limites fronteiriços do Mato Grosso com as colônias castelhanas. Durante 10 anos percorreu grande parte da América do Sul, por caminhos fluviais, entre Belém, Vila Bela e São Paulo na campanha de demarcação de fronteiras entre o Brasil e a América espanhola. Mais tarde, percorreu parte de Moçambique e da atual Zâmbia, no que passaria a ser a primeira tentativa científica de travessia de África. Em 1797 como membro da Academia real de ciências de Lisboa foi nomeado Governador dos Rios de Sena (Zambézia), na África Oriental, pelo então ministro e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar, D. Rodrigo de Sousa Coutinho. "O Bandeirante de Coimbra" Tinha por missão extraordinária fazer a travessia da África, entre Moçambique e Angola.
Depois de um período de vários meses de preparação Lacerda e Almeida dirigiu, entre julho e outubro de 1798, o que viria a ser a "primeira expedição científica no sul da África Central (...) resultando na descoberta do Cazembe (...) e do lago Moero", na fronteira atual da Zâmbia com a República Democrática do Congo.
Depois de ter percorrido mais de 1300 km desde Tete, Lacerda e Almeida chegou, já doente e com febres, a Cazembe, então parte do reino de Lunda, a 3 de outubro de 1798, onde contacta com o Rei Muata Lequéza, 4.° soberano do Cazembe, que o recebe como "irmão". Passadas duas semanas veio a falecer sem conseguir concluir a travessia.
O diário de viagem do explorador foi salvo e trazido para Tete e publicado pela primeira vez em Lisboa entre 1844 e 1845 nos Anais Marítimos e Coloniais. Estes documentos virão a ser traduzidos mais tarde para inglês e publicados em Londres em 1873 numa obra intitulada The Lands of Cazembe: Lacerda´s journey to Cazembe in 1798 pelo explorador inglês Sir Richard Francis Burton, que escreveu "se o Dr. Lacerda não executou o seu projeto, o seu sucesso parcial aumentou, consideravelmente, o nosso conhecimento sobre o interior de África, (...) até que o Dr. Livingstone tenha regressado da sua terceira expedição, os escritos de Lacerda devem continuar a fazer autoridade"
O conhecido escritor e historiador francês Júlio Verne escreveu sobre o desbravador Paulista: "uma pena profunda de não ter podido (…) escrever mais demoradamente sobre a história dum homem que fez descobertas tão importantes, e em relação ao qual a posteridade é soberanamente injusta deixando-o no esquecimento"
Ainda na África, a primeira homenagem foi uma iniciativa do Rei do Cazembe, que mandou instalar um "Maxâmo", à memória de Lacerda e Almeida, que que o major Pedroso Gamito ainda teve oportunidade de ver em 1832. O major Gamito explica que os Maxâmos são "os jazigos dos Muatas [reis] que os Cazembes reverenciam como lugares sagrados". Em 1893, uma povoação de Moçambique, na margem direita do Zambeze, recebeu o nome de Lacerdónia em homenagem ao explorador.
Fonte: Francisco José de Lacerda e Almeida – Um astrônomo paulista no sertão africano", Editora Universidade Federal do Paraná (Coleção Ciência e Império), 2012

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