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Giovani Costa
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O Castelo de Garcia d'Ávila, em Praia do Forte, litoral norte da Bahia, foi iniciado em 1551 e concluído em 1624. Suas ruínas estão entre as mais antigas do Brasil. Foi a maior edificação portuguesa construída no Brasil, até a época. Garcia d'Ávila (c.1528 - 1609) era um agricultor na Comenda de Rates, em Portugal, e amigo (provavelmente parente, talvez filho bastardo) de Thomé de Sousa, o comendador.
Chegou na Bahia em 29 de março de 1549, junto com Thomé de Sousa. Em 1º de junho do mesmo ano foi nomeado feitor e almoxarife da Cidade do Salvador e da Alfândega. Posteriormente recebeu sesmarias em Itapagipe, Itapuã e Tatuapara, onde começou a construir uma torre, em 1551. Esse foi o maior feudo do Brasil com uma área de cerca de 800 mil quilômetros quadrados, equivalente a 1/10 do território brasileiro de hoje, o que equivale às áreas, somadas, de Portugal, Espanha, Holanda, Itália e Suíça. Seguiu-se a construção de um solar com a Capela de Nossa Senhora da Torre.
Garcia d'Ávila não teve filhos com sua esposa Mécia Rodrigues, mas sim com uma índia tupinambá, batizada de Francisca Rodrigues. Isabel d'Ávila, filha desse casal, teve núpcias com o fidalgo genovês Gil Vicente de Vasconcelos. Falecido o marido, Isabel casou-se com o fidalgo da casa real Diogo Dias, neto do português Diogo Álvares Caramuru e a Índia Dona Catarina Paraguaçu, o primeiro casal cristão do Brasil. O herdeiro do grande latifúndio de Garcia d'Avila foi Francisco Dias d’Ávila Caramuru, filho de Isabel d’Ávila
Dessas uniões descenderam muitos nobres baianos, inclusive os barões de Pirajá e de Jaguaripe.
A Torre de Garcia d'Ávila, construída em estilo medieval, era um posto de observação estratégico e recebeu o nome de Torre Singela de São Pedro de Rates. Constituía-se em uma espécie de mansão senhorial, ainda ao estilo manuelino em uso por Portugal nas suas possessões ultramarinas no início do século XVI. Constitui-se no centro de um expressivo poder militar no período colonial.
No contexto da segunda das invasões neerlandesas ao Brasil (1630-1654), o seu neto, Francisco Dias de Ávila Caramuru (c. 1621-1645), auxiliou na defesa, fornecendo homens e víveres: a Casa foi utilizada como refúgio temporário por Giovanni di San Felice, conde de Bagnoli, que assumiu o comando das forças portuguesas após o desastre na batalha de Mata Redonda (janeiro de 1636). Dos domínios da Casa da Torre, partiram as primeiras bandeiras sertanistas que introduziram a pecuária na região Nordeste do Brasil: Francisco Dias de Ávila II (c. 1646-1694), na segunda metade do século XVII, após dominar os cariris, ampliou as fronteiras desse latifúndio familiar até os sertões de Pernambuco.
A Casa da Torre foi o embrião de um grande morgado que se iniciou na capitania da Bahia ainda no século XVI e que, por quase 300 anos, expandiu-se ao longo das gerações dos seus senhores por mais de 400 léguas na Região Nordeste do Brasil um território que correspondia ao dobro da capitania do Piauí à custa de guerras contra os índios, com escravização destes para trabalharem nas plantações de cana-de-açúcar, nos engenhos de açúcar e nas criações de bois, cavalos e mulas (todos estes animais eram utilizados para transporte em pequenas distâncias e como força de tração nos engenhos). A expansão também foi motivada pela busca por minas de prata, embora só tenham sido encontradas minas de salitre.
No século seguinte, o seu sucessor, Garcia de Ávila Pereira, atendeu solicitação do governador-geral dom Rodrigo da Costa (1702-1705) para substituir o antigo Forte da Praia, então desaparecido, e fez construir, às próprias expensas, o Forte de Tatuapara, em alvenaria de pedra e cal hoje por sua vez desaparecido. Este morgado comandava, na ocasião, um Regimento de Auxiliares composto por três Companhias, com a função de guarnecer a costa entre o rio Real e o rio Vermelho. Com a morte de Garcia de Ávila Pereira de Aragão em 1805, na ausência de herdeiros o morgadio da Torre passou para os Pires de Carvalho e Albuquerque
No século XIX, durante a Guerra da independência do Brasil (1822-1823), serviu de base ao Exército Libertador de Cachoeira (1823), fornecendo destacamentos de cariris armados com flechas e bordunas. Com os seus recursos exauridos após a Guerra e a extinção dos morgadios no Brasil a partir de 1835, a Casa da Torre foi progressivamente abandonada, transformando-se em ruínas. Apenas a Antiga Capela dos Castelo foi Restaurada.
A primitiva estrutura, que corresponde à atual capela, foi uma torre de planta hexagonal, abobadada, com paredes de tijolos. As salas contíguas eram recobertas por cúpulas e abóbadas de arcos cruzados. Em etapa construtiva posterior, a fortificação foi erguida em alvenaria de pedra, desenvolvendo-se simetricamente em torno de um pátio de armas, onde uma escadaria dupla conduzia ao primeiro pavimento.
Em alvenaria de pedra e cal, tinha a função de vigiar o sertão por um lado, resistindo aos ataques dos indígenas revoltados e o mar pelo outro, resistindo aos corsários que então procediam razias no litoral. Uma terceira fase da construção, datada do início do século XVIII, também em pedra, amplia o Castelo
Créditos á Eduardo Moody, Agx Filmes, RenataCanuto,@sitealoalobahia, Rita Barreto, Osvaldo pontes,https://quefazerempraiadoforte.wordpress.com/castelo.../ e neidedantasoliveira, pelas imagens,
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