SANTANA DO CARIRI SEM PLÁCIDO CIDADE NUVENS- POR TIBURCIO BEZERRA DE MORAIS NETO


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Recebi, há poucos instantes, uma notícia por demais desagradável. A imprensa do Cariri está noticiando o falecimento do Prof. Plácido Cidade Nuvens, figura proeminente na região, pelo muito que realizou no meio político e no campo da cultura.
Conheci-o ainda criança, quando, no mesmo dia e com a mesma idade, chegamos ao Seminário São José do Crato, para uma jornada que duraria cinco anos. Ele, vindo de Santana e eu, de Várzea Alegre. Ali começaríamos um novo itinerário na vida, a partir de uma escola onde a disciplina e a formação religiosa ditariam as nossas aspirações futuras. Ali travaríamos uma amizade que soubemos conduzi-la por toda a vida.

Plácido logo revelou qualidades que nós outros não tínhamos. Inteligente e aplicado, foi sempre um aluno nota 10. Já esboçava a intuição própria dos gênios. Passamos a vê-lo como referência. Sem empáfia e sem a vaidade que poderia perfeitamente exibir, não se deixou levar por essas veleidades tão comuns aos seres humanos.
Desisti de ser padre ainda no Seminário Menor. Ele porém prosseguiu. Talentoso e muito preparado, não foi difícil para ele chegar a Roma, onde concluiria o curso de teologia e, assim, melhor habilitar-se-ia para o presbiterato. Porém não foi assim que quis o destino. Ele não ordenou-se padre. Sua bagagem de conhecimentos autorizava-o a viver em qualquer país do Velho Mundo.
Preferiu retornar ao Ceará, ao Cariri e à sua Santana do Cariri, primeiro e maior amor da sua vida. Foi Prefeito de Santana, foi reitor da Urca, recebeu a Sereia de Ouro, escreveu livros, proferiu palestras e foi um orador brilhante. De tudo o que sonhou e de tudo o que realizou, uma obra fica como testemunho do seu amor a Santana. Refiro-me ao Museu de Paleontologia. Ali está sua cara e o seu coração.
A Santana dos fósseis e dos dinossauros hoje existe porque Plácido defendeu a ideia e cristalizou-a no acervo que deixa para a posteridade. Quando um dia eu retornar ao museu, com toda certeza, vou sentir falta de Plácido Cidade Nuvens e, com certeza maior ainda, sentirei saudade daquele nublado dia 2 de fevereiro de 1957, data em que, juntos, começávamos a nossa vida de seminaristas.

Comentários

  1. Tive a honra de ter estudado com o professor Plácido e também de ver a evolução do Museu de Paleontologia sob a sua gestão.

    Antonio Ribeiro de Sousa

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    1. Muito obrigado pelo comentário, amigo. Professor Plácido era uma personalidade que eu admirava muito também há muitos anos!

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  2. Conheci, de vista, quando frequentava, lá pelos idos de 1978, a Fundação Padre Ibiapina. Éramos todos muito jovens e admirávamos, quase extasiados, sua capacidade de comunicação e sua liderança. Um grande filho do Cariri, sem dúvida alguma.

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    1. Muito obrigado pelo excelente comentário amigo!

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  3. Eu era criança, quando o vi falando, de pé, em cima de um dos bancos, que estavam no pátio da Igreja Matriz de Senhora Santana, em Santana do Cariri (CE). Época do Padre Cristiano e ocasião do encerramento da festa religiosa da padroeira. Não havia microfone e nem estava preparado um púlpito, mas ele, com sua simplicidade, para que todos o ouvissem bem melhor, posicionou-se em cima do banco e o tomou emprestado como púlpito, com voz forte, fez o que sabia de melhor: dirigir a boa palavra. Esta é uma lembrança, das muitas recordações que guardo comigo, a respeito da sua pessoa.

    Mazinho Dias.

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    1. Muito obrigado amigo pelo seu comentário, que vem enriquecer a matéria.
      Soube como ninguém amar e valorizar sua terra. um grande vulto na história e cultura cearense.

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  4. Seu trabalho de cunho jornalistico e divulgador da cultura nordestina,resgata o que outrora parece esquecido pela geração voltada apenas ao mundo digital e me parece esquece que o passado faz parte do nosso aprendizado se não vivenciado mas contado e cantado pelos inúmeros artistas desta nossa terra e também do Brasil.

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